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Greve na Fhemig tem adesão em 8 hospitais de BH, e gestão admite impactos no João XXIII

otempo.com.br By Isabela Abalen 2026-03-17 1315 words
A greve dos profissionais de saúde da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) tem adesão em todos os oito hospitais da rede SUS-MG em Belo Horizonte, segundo levantamento do Sindicato dos Trabalhadores da Rede Fhemig (Sindpros). O balanço foi feito após assembleia realizada nesta terça-feira (17/3), primeiro dia da paralisação, que reuniu cerca de 200 servidores em frente ao Pronto-Socorro João XXIII. Entre os paralisados estão integrantes da equipe multiprofissional, como enfermeiros, psicólogos, técnicos de raio-X e auxiliares administrativos. De acordo com o sindicato, devido ao movimento, as unidades de saúde operam em escala mínima.

Até o momento, a greve afetou o funcionamento do João XXIII, Infantil João Paulo II, Maria Amélia Lins, Eduardo de Menezes, Júlia Kubitschek, Alberto Cavalcanti, Cristiano Machado e a Maternidade Odete Valadares. Segundo a Fhemig, nesta terça (17), o movimento provocou reflexos pontuais na dinâmica de alguns setores do Pronto-Socorro João XXIII.

"As equipes assistenciais e administrativas atuam para reorganizar fluxos e assegurar a continuidade de serviços eventualmente afetados, garantindo o atendimento adequado à população", informou, acrescentando que acompanha o movimento grevista e mantém diálogo com os servidores.

A greve dos profissionais de saúde da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) atinge 80% dos hospitais da rede SUS-MG em Belo Horizonte, segundo levantamento do Sindicato dos Trabalhadores da Rede Fhemig (Sindpros). O balanço foi feito após assembleia realizada… pic.twitter.com/uCrYRz9Mlz— O TEMPO (@otempo) March 17, 2026

A greve dos profissionais de saúde da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) atinge 80% dos hospitais da rede SUS-MG em Belo Horizonte, segundo levantamento do Sindicato dos Trabalhadores da Rede Fhemig (Sindpros). O balanço foi feito após assembleia realizada… pic.twitter.com/uCrYRz9Mlz

De acordo com o presidente do Sindpros, Carlos Martins, os setores de urgência e emergência foram priorizados para o atendimento de casos graves, enquanto atendimentos leves a moderados podem ter aumento de espera.

"Os CTIs, por exemplo, queriam paralisar, mas mantivemos a escala normal para garantir a assistência. No bloco cirúrgico e na porta de entrada de urgência e emergência, estamos em escala mínima para manter os atendimentos. O principal reflexo ocorre nos setores não urgentes, em que o paciente pode ser atendido em outras unidades, como UPAs", detalhou.

Greve denuncia sucateamento da assistência e pede melhores condições de trabalho

A paralisação dos servidores da Fhemig ocorre por tempo indeterminado e é motivada por reivindicações por melhores condições de trabalho e assistência aos pacientes. O presidente do Sindpros denuncia sucateamento da infraestrutura dos hospitais da rede SUS-MG, que vai de problemas físicos — como a falta de proteção contra sol e chuva em áreas de circulação de pacientes — a falhas em sistemas, como o novo controle de medicamentos (Tazy), que tem atrasado a liberação de remédios em casos cruciais.

"Foi feita a mudança de plataforma sem a preparação de uma estrutura adequada, como computadores e internet. Os pacientes são prejudicados porque, muitas vezes, mesmo com a prescrição médica, não conseguimos retirar o medicamento", relata.

Sobre isso, a Fhemig argumentou que "o Tasy é um dos sistemas de gestão hospitalar mais robustos e utilizados no Brasil, especialmente em grandes instituições públicas e privadas". Conforme a fundação, a plataforma permite registrar e acompanhar digitalmente todas as etapas do atendimento ao paciente, além de permitir o monitoramento de indicadores assistenciais com precisão e segurança.

Valorização dos servidores

Em relação à valorização dos servidores, a categoria afirma que, há pelo menos seis anos, não recebe reajuste nem reposição salarial. Segundo o Sindpros, o anúncio do governo de aumento de 5,4% para trabalhadores dos hospitais não condiz com a realidade da enfermagem.

"Na prática, será 0%. Os profissionais da enfermagem recebem o piso nacional, e o estado paga hoje um abono. Quando houver o reajuste de 5,4%, esse abono será retirado. Ou seja, não haverá aumento. Além disso, nossa perda inflacionária nos últimos três anos foi de 12,5%", afirmou o representante sindical Carlos Martins.

Ele também reivindica reforço nas equipes multiprofissionais. "Estamos sobrecarregados, porque há um déficit de trabalhadores. Em escalas que antes contavam com 10 profissionais, hoje são cinco ou seis, sem redução dos serviços. O último concurso que convocou profissionais já entrou defasado. A consequência é que o servidor acaba adoecendo, se afasta, e não há reposição", denuncia.

Sobre o reajuste salarial, o governo de Minas Gerais afirmou que tem "compromisso com a valorização dos servidores públicos estaduais e mantém diálogo permanente com as categorias, sempre respeitando os limites e as responsabilidades estabelecidos pela legislação vigente". A gestão acrescentou que a reorganização das contas públicas e o restabelecimento da regularidade no pagamento dos servidores são prioridades desde 2019, com medidas adotadas nesse sentido até o anúncio mais recente de recomposição de 5,4% nos salários de todo o funcionalismo estadual, feito na última semana. "A medida vale para servidores ativos, inativos e pensionistas da administração direta e indireta do Estado. A recomposição será paga retroativamente a 1º de janeiro de 2026."

Nova mobilização nesta quarta (18/3)

Após uma reunião para tratar das reivindicações da greve com representantes da Fhemig e da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão de Minas Gerais (Seplag-MG) terminar de forma frustrada nessa segunda-feira (16), o movimento grevista marcou outro protesto para esta quarta-feira (18), em frente à Assembleia Legislativa de Minas Gerais, a partir das 10h.

Veja nota da Fhemig na íntegra

"A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) informa que não houve interrupção de atendimento por conta da greve desta terça-feira (17). O movimento provocou reflexos pontuais na dinâmica de alguns setores do Hospital João XXIII. Nas demais unidades da rede não houve impacto na assistência.

As equipes assistenciais e administrativas atuam para reorganizar fluxos e assegurar a continuidade de serviços eventualmente afetados, garantindo o atendimento adequado à população.

A Fhemig acompanha a situação de forma permanente e reforça que mantém canais abertos para ouvir e dialogar sobre as demandas de seus servidores."

O que diz o governo de Minas?

"O Governo de Minas reafirma seu compromisso com a valorização dos servidores públicos estaduais e mantém diálogo permanente com as categorias, sempre respeitando os limites e as responsabilidades estabelecidos pela legislação vigente.

Desde o início da atual gestão, em 2019, uma das prioridades foi reorganizar as contas públicas e restabelecer a regularidade no pagamento dos servidores, após um período de grave desequilíbrio fiscal. Logo no primeiro ano, o Estado quitou o 13º salário de 2018, deixado em aberto pela administração anterior. A partir de 2021, o pagamento dos salários foi definitivamente regularizado, encerrando mais de cinco anos de parcelamentos. Desde então, todo o funcionalismo recebe integralmente no quinto dia útil, com previsibilidade e segurança.

O 13º salário também voltou a ser pago em dia, sem parcelamentos, de forma consecutiva nos últimos anos, consolidando a estabilidade financeira do Estado e o respeito aos servidores.

Mesmo diante das restrições fiscais, o governo tem promovido recomposições salariais periódicas. Em 2022, após mais de uma década sem revisão geral, foi autorizado reajuste de 10,06% para todo o funcionalismo do Executivo. Em 2024, nova recomposição de 4,62% foi aplicada aos servidores estaduais. Em 2025, foi anunciado o pagamento de auxílio-alimentação para as Forças de Segurança, representando acréscimo de até 34% na remuneração desses profissionais.

E na última quarta-feira (11/03), o Governo de Minas envio à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) o projeto que trata do reajuste para os servidores, conforme anúncio do governador Romeu Zema de recomposição de 5,4% nos salários de todo o funcionalismo público do Estado. A medida vale para os servidores ativos, inativos e pensionistas da administração direta e indireta do Estado. A recomposição será paga retroativamente a 1/1/2026.

Nesse contexto, a recente adesão ao Propag reforça o compromisso da atual gestão com o equilíbrio das contas públicas, garantindo um futuro com mais investimentos para os mineiros. O Governo de Minas segue trabalhando para garantir equilíbrio fiscal, previsibilidade e valorização do servidor público, pilares fundamentais para a prestação de serviços de qualidade à população."

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