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As mensagens conspiratórias sugerem, por exemplo, que, com a evolução da inteligência artificial (IA), seria "ainda mais fácil forjar" imagens em alta definição divulgadas pela Nasa. Outros conteúdos demonstram ceticismo em relação à missão Artemis II ao afirmar que, em programas anteriores, não houve testes para o envio de tripulação à Lua – o que é falso.
As publicações também misturam teorias conspiratórias sem provas com mensagens apocalípticas para afirmar que a Nasa teria o objetivo de "carimbar a narrativa" para abafar eventos reais na Terra.
A missão Artemis II decolou em 1º de abril do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, Estados Unidos. Na segunda-feira (6), a nave Orion realizou com sucesso o sobrevoo lunar, algo inédito desde a missão Apollo 17, em 1972. Os quatro astronautas da tripulação — Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen — tornaram-se os primeiros seres humanos a ver o "lado oculto" da Lua.
A Lupa identificou as principais narrativas que estão circulando sobre a missão Artemis II. Confira:
Dados das fotos
Para sustentar a alegação de que a missão Artemis II seria uma encenação, publicações nas redes sociais afirmam que a imagem da Terra registrada pela tripulação foi gerada por IA. Como suposta evidência, esses conteúdos comparam o registro recente com a famosa fotografia feita pela Apollo 17, em 1972, insinuando que a diferença na qualidade e na aparência das imagens indicaria manipulação.
Os dados detalhados no chamado arquivo EXIF, salvo automaticamente pelo aparelho dentro da foto, comprovam que não houve manipulação – quando há uso de softwares de edição digital, essas informações acabam alteradas. Esses dados foram divulgados pela Nasa em seu site. Estão listados o equipamento que o fotógrafo usou – uma Nikon D5 –, a data, a hora do clique segundo o relógio da câmera, a opção pelo foco manual, a sensibilidade (ISO) e a abertura da lente.
A foto foi registrada pelo comandante da Artemis II, Reid Wiseman, de uma das janelas da espaçonave Orion após a conclusão da queima de injeção translunar em 2 de abril de 2026. Ela foi capturada no lado noturno da Terra com ISO 51200 e velocidade do obturador de 1/4 de segundo.
Um fotógrafo profissional especializado em astrofotografia afirmou à agência de checagem da Australian Associated Press (AAP) que a imagem original do programa Artemis provavelmente tinha como objetivo capturar os detalhes da cápsula espacial e da Terra, e que "as configurações usadas na câmera não serão de forma alguma sensíveis o suficiente para capturar todos os detalhes mais tênues".
De acordo com o canal de astrofotografia MoonSky no Instagram, na imagem registrada pela Apollo 17 a Terra aparece totalmente iluminada pelo Sol, semelhante a uma "Terra cheia". Já no caso da Artemis II, o planeta surge apenas parcialmente iluminado (em fase), o que reduz o brilho geral e faz com que a imagem pareça naturalmente mais opaca.
Além disso, a Nasa divulgou duas fotos da Terra registradas com poucos minutos de diferença, mas sob configurações distintas de câmera. Uma aparece mais clara, outra mais escura. "Na primeira, uma velocidade de obturador mais lenta permitiu a entrada de muito mais luz da Terra, enquanto a velocidade de obturador mais curta na segunda enfatiza o brilho noturno do nosso planeta", afirmou a agência espacial.
Even in darkness, we glow.— NASA (@NASA) April 3, 2026In this image of Earth taken by the Artemis II crew, we can see the electric lights of human activity. In the lower right, sunlight illuminates the limb of the planet. pic.twitter.com/kWcjHFvoDM
Even in darkness, we glow.
Outro aspecto que explicam as diferenças entre as imagens da Terra de 1972 e de 2026 são as condições de iluminação e o pós-processamento. Na foto original de 1972, inclusive, observa-se uma resolução significativamente inferior.
De acordo com a Nasa, a tripulação carrega 32 câmeras e dispositivos. "Os sistemas dão suporte à engenharia, navegação, monitoramento da tripulação e a uma série de atividades de ciência lunar e divulgação científica", diz. Quinze câmeras estão montadas diretamente na espaçonave e 17 são câmeras portáteis operadas pela tripulação.
Imagens da Lua
Usuários também questionam a credibilidade das imagens da Lua feitas pela missão, apontando supostas falhas técnicas, indícios de edição e o uso de "cores falsas" nas fotografias. Ao contrário do que afirma algumas das publicações, as imagens são reais e publicadas com seus metadados no site oficial da Nasa.
Imagens da lua com tons coloridos, diferente da cor cinza presente na maioria das fotos, também passaram a circular com desinformação. Legendas enganosas indicam que a "Nasa descobriu recentemente que a Lua é colorida". As cores, no entanto, resultam do aumento da saturação na imagem para destacar os minerais presentes na superfície lunar.
Uma das imagens em circulação foi publicada à princípio no Instagram em agosto de 2025 pelo astrofotógrafo Ibatullin Ildar. Na publicação, ele explica que, durante o processamento, aumentou intencionalmente a saturação da Lua para revelar a composição mineral de sua superfície. "Os tons marrom-avermelhados indicam óxido de ferro, enquanto os tons azuis representam óxido de titânio", afirmou.
Antes disso, a Nasa publicou, em 1992, uma imagem em cores falsas composta por 15 fotografias da Lua, captadas por meio de três filtros de cor pelo sistema de imagem de estado sólido da sonda Galileo. Segundo a agência, o processamento de cores falsas usado para criar a imagem lunar teve o objetivo de facilitar a interpretação da composição do solo superficial.
"As áreas que aparecem em vermelho geralmente correspondem às terras altas lunares, enquanto os tons de azul a laranja indicam o antigo fluxo de lava vulcânica de um mar lunar. As áreas mais azuis dos mares lunares contêm mais titânio do que as regiões alaranjadas", explica a Nasa.
Ou seja, a imagem destaca os diferentes tipos de minerais presentes na superfície lunar, a partir do aumento da saturação das cores para evidenciar os contrastes geológicos.
Publicações no Facebook afirmam ainda que as imagens da Lua colorida foram registradas pela Artemis II. Na galeria oficial da Nasa não há, contudo, qualquer imagem similar publicada até a tarde de quarta-feira (8).
"Falta de testes"
Conteúdos que circulam em redes sociais e aplicativos de mensagem também passaram a questionar, sem evidências, a necessidade de testes nas missões atuais, sugerindo que as viagens do passado teriam ocorrido sem etapas preparatórias.
"Na última ida à lua no século passado conseguiram pousar sem testes. E hoje em 2026 tem que realizar testes. Receptáculos mero repetidor do sistema. Incompetente de raciocínio cognitiva. Nem um diploma pode sustentar um fracassado alienado que crê na terra esférica que por sua vez pertence ao Evolucionismo !!!", diz trecho de post em grupo do Telegram com mais de 160 mil perfis. A afirmação, contudo, é falsa.
A Nasa realizou diversas missões entre 1967 e 1972, incluindo testes com envio de foguetes não tripulados, para viabilizar o envio de astronautas à Lua e garantir seu retorno seguro à Terra.
A missão Apollo 1, inclusive, foi marcada por uma tragédia. Em 27 de janeiro de 1967, houve um incêndio na plataforma de lançamento do Cabo Kennedy durante um teste em solo. O voo, que seria o primeiro tripulado do programa Apollo, estava previsto para 21 de fevereiro daquele ano. Os astronautas Virgil Grissom, Edward White e Roger Chaffee morreram quando o fogo consumiu o módulo de comando.
O objetivo da Artemis II, segundo a Nasa, além de realizar testes planejados para avaliar sistemas, procedimentos e o desempenho da espaçonave Orion, inclui observações da superfície lunar que servirão de base para futuras operações científicas na Lua. A agência afirma que a tripulação também praticará atividades críticas para a missão, "como ajustes de trajetória, comunicações a distâncias lunares e a pilotagem da Orion em fases-chave do voo, culminando em uma reentrada e pouso na água para validar ainda mais o desempenho da espaçonave com astronautas a bordo".
"Esta missão verificará se os sistemas de suporte à vida da Orion podem sustentar astronautas em missões de maior duração no futuro e permitirá que a tripulação pratique operações essenciais para a Artemis III e missões subsequentes", explica a Nasa.
Segundo apuração do jornal The New York Times, missões complexas, como o pouso na Lua, exigem prudência, especialmente quando há pessoas a bordo. "A tecnologia atual, especialmente os computadores, avançou muito além do que estava disponível na época do programa Apollo. Inevitavelmente, algo não funcionará exatamente como planejado, e será importante identificar e corrigir esses problemas antes de tentar um pouso", diz o jornal.
Além disso, a Nasa ainda não conta com um módulo lunar (espécie de veículo de pouso lunar projetado para permitir que astronautas se locomovam entre uma espaçonave em órbita lunar e a superfície da Lua). Segundo a previsão da agência espacial, a primeira tripulação do Programa Artemis pousará na Lua em 2028.
Teorias conspiratórias
Para além das narrativas sobre supostas imagens manipuladas, a missão Artemis II também tem sido alvo de conspirações que associam elementos simbólicos e coincidências a significados ocultos. Publicações nas redes sugerem, por exemplo, que o lançamento em 1º de abril (conhecido como Dia da Mentira) seria uma espécie de "assinatura" irônica do sistema, que revelaria a "verdade" por meio de deboche.
Outras leituras afirmam que a escolha do nome "Artemis", referência à deusa da mitologia grega, representaria uma ativação de arquétipos pagãos em oposição ao cristianismo. Além disso, conteúdos destacam uma suposta recorrência do número "33" em dados técnicos da missão — como valores de empuxo ou distâncias — interpretada como indício de significados ocultos, embora essas associações não tenham base factual.
As narrativas remontam teses de que o homem nunca pisou à Lua — e que, mesmo com os avanços tecnológicos, as missões Artemis tampouco conseguirão esse feito. Entretanto, as teorias continuam sem base factual.
As mensagens analisadas pela Lupa afirmam, por exemplo, que não há estrelas nas fotos da missão da Nasa à Lua, assim como os atuais registros da Artemis II, e que, portanto, as imagens foram fabricadas em estúdio. Segundo especialistas ouvidos pela Royal Museums Greenwich, isso é falso.
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▸ Source Quality 4/5
Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety
Summary
Good use of named sources including NASA, experts, and fact-checking organizations, though some sources are secondary.
Findings 5
"Esses dados foram divulgados pela Nasa em seu site."
Direct reference to NASA's official website as source.
Primary source"Um fotógrafo profissional especializado em astrofotografia afirmou à agência de checagem da Australian Associated Press (AAP)"
Named expert source with credentials.
Named source"De acordo com o canal de astrofotografia MoonSky no Instagram"
Named social media source.
Named source"pelo astrofotógrafo Ibatullin Ildar"
Named photographer source.
Named source"Segundo apuração do jornal The New York Times"
Secondary media source citation.
Secondary source▸ Perspective Balance 4/5
Acknowledgment of multiple viewpoints, counterarguments, and balanced presentation
Summary
Clearly presents conspiracy claims and systematically debunks them with evidence.
Findings 4
"visuais. As mensagens conspiratórias sugerem, p"
Presents conspiracy viewpoint.
Balance indicator"o que é falso"
Explicitly labels false claims.
Balance indicator"Ao contrário do que afirma algumas das publicações"
Directly counters misinformation.
Balance indicator"A afirmação, contudo, é falsa."
Clear factual correction.
Balance indicator▸ Contextual Depth 5/5
Background information, statistics, comprehensiveness of coverage
Summary
Extensive historical context, technical details, and background information provided.
Findings 4
"algo inédito desde a missão Apollo 17, em 1972"
Historical context about previous missions.
Background"a tripulação carrega 32 câmeras e dispositivos"
Specific technical data.
Statistic"A Nasa realizou diversas missões entre 1967 e 1972"
Historical background on testing.
Background"Segundo a previsão da agência espacial, a primeira tripulação do Programa Artemis pousará na Lua em 2028."
Future context and timeline.
Context indicator▸ Language Neutrality 5/5
Absence of loaded, sensationalist, or politically biased language
Summary
Consistently factual and neutral language throughout.
Findings 4
"A missão Artemis II decolou em 1º de abril"
Straightforward factual reporting.
Neutral language"Os quatro astronautas da tripulação"
Neutral description.
Neutral language"De acordo com a Nasa"
Neutral attribution.
Neutral language"Segundo especialistas ouvidos pela Royal Museums Greenwich"
Neutral expert attribution.
Neutral language▸ Transparency 5/5
Author attribution, dates, methodology disclosure, quote attribution
Summary
Full author attribution, date, clear quote attribution, and methodology disclosure.
Findings 2
"afirmou à agência de checagem da Australian Associated Press (AAP)"
Clear attribution of expert quote.
Quote attribution"monitorados pela Lupa"
Disclosure of monitoring methodology.
Methodology▸ Logical Coherence 5/5
Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation
Summary
No logical inconsistencies detected; article systematically presents and debunks claims.
Findings 1
"sugerindo que as viagens do passado teriam ocorrido sem etapas preparatórias"
Identifies unsupported claim from conspiracy theorists.
Unsupported causeLogic Issues
Contradiction · high
Conflicting values for 'the': 5 vs 2028
"Heuristic: Values conflict between P2 and P4"
Core Claims
"Conspiracy theories about Artemis II images being AI-generated or manipulated are false."
NASA metadata and expert analysis Primary
"Claims that past moon missions had no testing are false."
Historical records of Apollo program testing Primary
"Colored moon images result from saturation adjustments to highlight minerals, not NASA deception."
Astrophotographer Ibatullin Ildar and NASA explanations Named secondary
Logic Model Inspector
Inconsistencies FoundExtracted Propositions (7)
-
P1
"Artemis II launched on April 1, 2026 from Kennedy Space Center."
Factual -
P2
"The crew captured Earth images with a Nikon D5 camera on April 2, 2026."
Factual In contradiction -
P3
"NASA conducted multiple test missions between 1967-1972 before Apollo moon landings."
Factual -
P4
"The first Artemis crew is scheduled to land on the Moon in 2028."
Factual In contradiction -
P5
"Image quality differences between 1972 and 2026 causes caused by lighting conditions and camera technology"
Causal -
P6
"Increased saturation in moon images causes reveals mineral composition of lunar surface"
Causal -
P7
"Advancements in computer technology causes require more testing for complex missions"
Causal
Claim Relationships Graph
Detected Contradictions (1)
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: Artemis II launched on April 1, 2026 from Kennedy Space Center. P2 [factual]: The crew captured Earth images with a Nikon D5 camera on April 2, 2026. P3 [factual]: NASA conducted multiple test missions between 1967-1972 before Apollo moon landings. P4 [factual]: The first Artemis crew is scheduled to land on the Moon in 2028. P5 [causal]: Image quality differences between 1972 and 2026 causes caused by lighting conditions and camera technology P6 [causal]: Increased saturation in moon images causes reveals mineral composition of lunar surface P7 [causal]: Advancements in computer technology causes require more testing for complex missions === Constraints === P2 contradicts P4 Note: Conflicting values for 'the': 5 vs 2028 === Causal Graph === image quality differences between 1972 and 2026 -> caused by lighting conditions and camera technology increased saturation in moon images -> reveals mineral composition of lunar surface advancements in computer technology -> require more testing for complex missions === Detected Contradictions === UNSAT: P2 AND P4 Proof: Heuristic: Values conflict between P2 and P4
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